READY OR NOT

Autora: Marta



Introduçã:

Ela vive o passado e o presente ao mesmo tempo, será que está pronta para o futuro ?


1º Capitulo [~Realidade~]


( POV)
*Flash back*

-Senhoras e senhores, meninas e meninos, bem-vindos ao...

***

- Sim, sim teatro, vá lá! –resmungava , espreitando pela cortina vermelha, impaciente
-Acalma-te olha os nervos. -inspirámos várias vezes.
-Obrigada amiga. -sorri-lhe em resposta.

Adereços, pessoas a correr, entrar e sair do palco, trocar os grandes vestidos, maquilhar, pentear, rever as falas, é assim a vida/stress de uma atriz, mas que educação. "Seja bem-vindos ao mundo das Artes! Eu sou a , uma das grandes prestigiadas atrizes desta época." , " é a tua vez!" , "Desculpem pela minha ida, mas tenho de entrar em cena.”

//

-Você, é incrível, assine por favor!
-, por favor um abraço!
-Não, a menina não tocara em ninguém!

Não me parece que vá seguir as tuas ordens. Dei uma corrida para junto da senhora e a abracei , assinei uns quantos papéis, quando acabei de distribuir milhares de sorrisos, voltei para junto dos ‘gorilas’ que nos protegiam e vi um rapaz, quieto me encarando, dei um, leve, sorriso amigável e entrei dentro do carro.

-Próxima paragem…casa!
- eu vou dar uma volta por aí.
-Esse nome é irritante my dear. –falou à tia.
-Essa voz também querida. –falei pelo nariz.

Rimos, uma coisa em comum nenhuma de nós é interesseira, nem apanhou os ábitos das ricas mimadas. Isso torna a nossa amizade mais forte.

-E o saberá da sua saída?
-Eu estou farta do , meu amor, é uma estúpida junção para a fama. –respondi ela riu.
-Hmm…sei…mas olha que ele não é de deitar fora. –piscou-me o olho.
-Podes ficar com ele então, se já não o fizeste. –dei-lhe uma piscadinha, à qual ela revirou os olhos, mas caímos na gargalhada.
(/ POV)
*Flash back*

E assim pensava como o seu dia tinha sido, sentou-se no banco frio do jardim, e pelo canto do olho avistou um vulto negro. Uma rapariga sozinha na rua, à noite, não é aconselhável.

-Eu vi-a, gostei da peça de teatro.
-Obrigada…queira-se juntar?! –apontou para o lugar vago ao seu lado.
-Obrigado, queira-me desculpar por a ter assustado. –falou sentando-se.
-Não tem de se desculpar. –sorriu, encarando o rapaz.

O tal rapaz, quieto, que a olhava, como esquecer aquele rosto? Mesmo sendo de noite, não era cega.

-Vejo que me reconheceu. –o rapaz disse.
-Vejo que percebe muito de pessoas e as suas expressões. –ambos riram pelo comentário da rapariga.
-Peço desculpa ainda não me apresentei, . –estendeu a mão.
-Leonor, prazer. –apertou a mão de , levemente, e foi surpreendida por este ter beijado a mesma [narradora: a mão dela, quer dizer a tua , percebeste...]
-Encantado, e o que a traz a esta aldeia?
-Eu nasci aqui, bom homem. –ambos sorriram.
-E fala sempre bem educada?
-Nem por isso. –sorriu.
-O seu sorriso encanta-me. - acariciou as costas da mão de com o polegar.
-É bom ouvir isso de um fã. –corou.
-É sempre bom ouvir.
-E você? Sempre fala educadamente?
-Como bom homem que sou, trato sempre uma dama como deve de ser. –respondeu sorrindo.
-E sem ser um bom homem, o que faz?

Ele hesitou, mas por fim respondeu.

-Sou também, homem do campo.

Leonor baixou a cabeça, aquela aproximação seria meio impossível, já que ele lavrava a terra e ela decorava falas.

-Eu sei que não era o que esperava… - interrompeu o rapaz.
-Não prossiga com tais palavras, você é o seu coração, sua companhia é ótima. Sabe de um bar? - sorriu.
-Sei. –respondeu.
-Acompanhe-me até lá, por favor. –sorriu.
-Será um prazer acompanhá-la. –levantou-se ainda segurando a mão da rapariga, que assentiu, e retiraram-se do parque.

//

-É melhor eu voltar para casa minha amiga me espera.
-Eu acompanho-a. –abandonaram o local.
-Sempre gostei do som dos grilos, e o assobio das folhas quando o vento passa nelas. –revelou Leonor fechando os olhos absorvendo a melodia.
-O som dos grilos é um tanto irritante. –fez-se silêncio, até Leonor o quebrar, abrindo os olhos.
-Tem razão Louis, é chato. –riram, em seguida o silêncio reinou. –Sabeis ler ?
-Claro que sim. –encarou .

Agora só se ouvia o barulhos dos seus sapatos na areia e o longo vestido de arrastar pelo chão, talvez por estar envergonhada não pronuncia-se uma palavra, pegou no vestido e com ele nas mãos subiu os cincos lances de escadas até à porta de sua casa.

-Obrigado pela companhia, espero que nos voltemos a encontrar. –sorriu.
-Eu também. -sorriu

antes de fechar a porta, olhou o rosto do rapaz, a luz reflectia a sua cara ‘como é lindo’ pensou, e pôde ver quão eram os seus olhos.

-Tens de falar com o , o mais rápido possível.
-Aí que susto ! –falou , tirando os saltos, que não lhe saiam dos pés desde a peça.
-Para continuares a sair com o rapaz, vais ter que desmentir esta farsa toda.
-Oh não acredito! Tu gostas do
-Sim, e muito. –retribuiu o abraço, sorrindo.

~+~

acordou com o som do despertador, olhou pela janela e já não era a aldeia, onde só existiam casas velhas e uma única capela, que tocava todos os dias à mesma hora, agora era uma cidade repleta de carros, prédios e vivendas. Seu quarto já não tinha aquela cama grande com véus caídos, seu guarda roupa, para sua felicidade, já não tinha grandes vestidos ou saltos, e sim calças, calções, blusas de manga curta, cava ou comprida, casacos, ténis, sapatinhas…
Uma música, fez-se soar pelo quarto inteiro, pegou no rectângulo, cheio de tecnologia, que se encontrava em cima da mesa de cabeceira, e atendeu, sem mesmo ver o nome.

Oi?!
, pronta para a nossa saída?

Como esquecer aquela voz…

*dá-me cinco minutos.*
Estou quase a chegar a tua casa.

Foi ao guarda-fatos, tirou umas calças rosa-salmão, uma blusa de alças branca, um casaco social azul escuro, e umas sapatilhas da mesma cor. Olhou-se ao espelho, penteou-se, colocou perfume, pegou no telemóvel, colocou-o dentro da carteira, desceu e a casa encontrava-se vazia, saiu, desceu agora os três lances de escadas e sentou-se no último degrau, esperando que não demorara a chegar.

-Vais continuar a mornar ou vai entrar?

Aquele não era o mesmo rapaz que falara ontem, era simpático ou aparentava ser? Ninguém para responder a tais perguntas. Apressou-se a entrar no carro, colocou o cinto e seguiram viagem.

-Vamos ao centro comercial e depois almoçar a minha casa, tem lá os rapazes. –avisou sem tirar os olhos da estrada.
-ok… -sussurrou a rapariga.

//

Raparigas rodeavam , pediam fotos, autógrafos abraçavam-no. assistia a cena sorrindo. Achava também estranho, pois ela era atriz e conhecida e não era homem do campo? Alguma coisa não bate certo.

//

Passavam por lojas ao qual só via as montras, estava estranho.

//

-Eles não tardam a chegar. –avisou o rapaz.
-Precisas de ajuda?
-Para?
-Já que compraste a comida fora, eu podia pôr a mesa, não sei…
-Ah sim… obrigada…

//

*campainha*

-Eu vou lá. –ofereceu-se .

Deslocou-se para a porta, descerrou a mesma, deu de caras com seis rostos familiares, mas ao mesmo tempo desconhecidos.

-Olá. –sorriu amigavelmente.

Apenas desprezaram-na e entraram, os quatro rapazes dois deles com as namoradas. Cada um cumprimentou e em seguida sentaram-se à mesa.

-Onde fico? –perguntou

Olhares espantados viraram-se para ela.

-Podes ficar junto da

Mesmo não distinguido caras, consegue dizer o nome de cada um.

-Olá. –sorriu , timidamente.
-Olá. –sorriu a rapariga.

//

Depois do almoço, já se encontravam todos na sala, deslocou-se até à casa-de-banho, abriu a porta e encontrou, o amigo de , debruçado na sanita. Auxiliou o rapaz segurando na testa do mesmo.

-Nunca vomitei tanto na minha vida! –resmungou.

apressou-se a dar uma toalha ao rapaz que acabara de lavara a cara.

-Estás bem? –perguntou preocupada.
-Sim, sim obrigada.
-Sabes como ficaste indisposto?
-Não e duvido que tu saibas. –respondeu frio.
-Não sei, é por isso que te estou a perguntar.

riu, aromou o quarto-de-banho e dirigiu-se à sala de jantar, onde a rapariga o acompanhou.

-Queres jogar às cartas? –perguntou o rapaz.
-Parece-me bem.
-Não vais fazer como da outra vez ou vais?

( POV)
*Flash back*

-GANHEI! –gritou o

Era preciso gritares? Eu que devia ter ganho! Isso façam batota suas crianças.

-Não jogo mais com vocês! Bando de meninas, eu odeio todos vocês e sabem que mais eu vou-me embora, só para não aturar mais as vossas caras! ’zinho, vamos embora, JÁ!!

(/ POV)
*Flash back*

-, estás aí?!
-Oh Meu Deus! Que mimada, desculpa-me pelo outro dia, eu… como o aguenta? -colocou as mãos na boca.
-Não sei, mas bem queres jogar ao peixinho?
-Peixinho? Parece-me bem

A rapariga riu, enquanto o ficou pelo sorriso.

//

-Quantos pares fizeste? –perguntou o .
-Perdi, melhor de três?
-Calro. –sorriu.
-Que mais comportamentos estúpidos tive?
-Bem quase deixaste uma idosa cair, na festa de anos do , tu fizeste ele passar vergonha, e rasgaste o vestido da por ser parecido ao teu, mais…
-Espera eu fui sempre assim tão… parva?
-Foste… -olhou para baixo.
-, por favor, ajuda-me.
-????
-Não é o teu nome?
-É, mas costumas chamar as pessoas de Inácio ou Inácia, costumas ser má.
-Mijardina, Jorgeta e Gervásia são nomes giros.
-Sim, pois… não mesmo
-Owin ._. –a cara da rapariga fez soltar uma gargalhada alta. –Então, posso começar por coisas pequenas.
-Podes-me trazer um copo com àgua, por favor?
-Claro.

Ausentou-se e segui caminho até à cozinha, onde ouviu o seu nome, então ficou à escuta.

-Já ninguém a atura.
-E queres o quê? Ela agora deu para simpática. –ouviu-se a voz de .
-É tudo fachada.
-Fachada ou não ela foi carinhosa com os fãs. –retrucou .
-Porque a defendes?
-Como consegues aturar a ?
-Ela é especial para mim. –respondeu.
-… deixem estar o rapaz, mas tira-a daqui de casa.
-Ok, ok. –ouve-se uma risada geral

correu, pegou na sua carteira e saiu porta fora, facilitando trabalho ao . Não pôde evitar , também, as lágrimas e assim correu para casa, com o caminho traçado na mente, mesmo desconhecendo as ruas.
Ela era tão insuportável, ao ponto de ninguém querer comunicar com ela? Tinha feito assim tantos pecados, para tanto a odiarem? Pelo que disse ela era muito mimada, até ela se odiava a si própria neste momento. Por fim, chegou a casa onde não viu , desligou o telemóvel, pensou no que o lhe dissera, jantou sozinha e correu para o quarto, onde só pensou no dia seguinte, despertou um pouco ao pensar que no próximo dia poderia ser um inferno, mas antes que pensa-se em algo pior, adormeceu vencida pelo cansaço.

[…]